O tema Mulheres na Ciência reflete não apenas uma celebração anual, mas um reconhecimento profundo da contribuição feminina ao desenvolvimento do conhecimento humano.
Comemorado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência representa uma oportunidade para refletir sobre trajetórias, desafios e conquistas de mulheres que mudaram paradigmas, quebraram barreiras e impulsionaram avanços extraordinários em diversas áreas do saber.
Esta data não é apenas simbólica: ela é um convite à ação, à valorização e ao fortalecimento da participação feminina nas ciências, um campo historicamente marcado por desigualdades, mas moldado por vidas inspiradoras.
Neste texto, apresentamos a origem da data, dados relevantes, perfis de cientistas notáveis no Brasil e no mundo, os obstáculos enfrentados e o impacto transformador que as mulheres exercem na ciência.
Este conteúdo informa e inspira.
O que é o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência?
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência foi uma iniciativa da Assembleia Geral das Nações Unidas em 2015, por meio da resolução A/RES/70/212, com a intenção de promover a participação plena e equitativa das mulheres no campo científico.
A escolha de 11 de fevereiro busca destacar a necessidade de enfrentar desigualdades de gênero no acesso à educação, à pesquisa, às carreiras científicas e às oportunidades de liderança.
A data também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em especial o ODS 5 (Igualdade de Gênero) e o ODS 4 (Educação de Qualidade), reforçando que a inclusão de mulheres e meninas nos campos científicos é condição fundamental para o desenvolvimento sustentável.
Em termos práticos, a data impulsiona debates globais, ações educativas, políticas públicas e programas de incentivo em universidades, centros de pesquisa, escolas e organizações não governamentais.
Assim, reafirma que a diversidade de gênero fortalece o avanço científico e tecnológico.
Uma Breve História da Participação Feminina na Ciência
A presença feminina nas atividades científicas remonta à Antiguidade, embora frequentemente invisibilizada ou desconsiderada.
Figuras como Hipátia de Alexandria (século IV), matemática e filósofa que desafiou normas socioculturais de sua época, são exemplos de como mulheres sempre estiveram envolvidas no processo de produção do conhecimento.
Durante muito tempo, no entanto, as mulheres foram excluídas das universidades e academias científicas.
Suas contribuições foram, frequentemente, atribuídas a colegas homens ou relegadas ao anonimato.
Foi apenas entre os séculos XIX e XX que as mulheres começaram a ingressar em instituições formais de ensino superior, enfrentando preconceitos e restrições impostas por normas sociais conservadoras.
A consolidação de movimentos feministas no século XX e os avanços dos direitos educacionais impulsionaram maior acesso feminino ao estudo e à pesquisa.
Ainda assim, a participação efetiva em áreas como física, matemática, engenharia e tecnologia continuou sendo um campo em que mulheres precisaram lutar por reconhecimento, financiamento e oportunidades de liderança.
Dados Atuais Sobre Mulheres na Ciência
Apesar dos progressos, ainda persistem disparidades significativas em várias partes do mundo:
- Participação: Globalmente, as mulheres representam cerca de 30% dos pesquisadores em ciência e tecnologia. Em áreas específicas como engenharia e tecnologia da informação, esse percentual é ainda menor.
- Educação: Em muitos países, a proporção de mulheres que cursam pós-graduação em disciplinas científicas é alta. No entanto, essa presença diminui progressivamente em níveis mais avançados, como o doutorado e posições de liderança acadêmica.
- Emprego e Liderança: Mulheres continuam sub-representadas em cargos de direção, chefia de laboratórios e conselhos científicos. Elas também recebem, em média, menos bolsas de pesquisa e financiamento em comparação com colegas do gênero masculino.
Essas disparidades não são apenas números, mas refletem barreiras estruturais e culturais que limitam o potencial científico de metade da população mundial.
Estudos apontam que, quando mulheres têm igualdade de oportunidades, o impacto na produção científica, na inovação tecnológica e no desenvolvimento socioeconômico é substancial.
Cientistas que Mudaram a História
Marie Curie – A Dama da Radioatividade
Marie Curie (1867–1934) é, possivelmente, o nome mais emblemático da ciência moderna. Nascida na Polônia, realizou grande parte de sua carreira na França, onde conduziu pesquisas pioneiras sobre radioatividade — termo que ela mesma ajudou a definir.
Curie foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel, o fez duas vezes: em Física (1903), dividindo o prêmio com seu marido Pierre Curie e Henri Becquerel, e em Química (1911), pelo descobrimento dos elementos rádio e polônio. Sua trajetória é um marco de perseverança em um ambiente acadêmico dominado por homens.
Além de suas descobertas científicas, Curie estabeleceu laboratórios e programas de pesquisa que influenciaram gerações posteriores de cientistas.
Rosalind Franklin – A Imagem Oculta do DNA
Rosalind Franklin (1920–1958), química inglesa, desempenhou papel crucial na descoberta da estrutura do DNA. Seu trabalho com difração de raios X produziu a famosa Fotografia 51, que contribuiu para a compreensão da dupla hélice.
Infelizmente, sua contribuição não foi devidamente reconhecida em vida, e o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1962 foi concedido a James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins — enquanto Franklin já havia falecido, e sua participação não havia sido plenamente valorizada.
Hoje, ela é celebrada como uma das figuras fundamentais da biologia molecular moderna, simbolizando tanto a excelência científica quanto as dificuldades enfrentadas por mulheres na ciência.
Katherine Johnson – A Matemática da NASA
Katherine Johnson (1918–2020) foi matemática e pesquisadora cujos cálculos foram essenciais para o sucesso de diversas missões da NASA, incluindo o voo orbital de John Glenn em 1962.
Negra e mulher em uma época de segregação racial nos Estados Unidos, Johnson quebrou barreiras duplas — de gênero e de raça — conquistando respeito e reconhecimento pelos seus brilhantes cálculos em trajetórias orbitais.
Sua história inspirou livros, filmes e programas educacionais que promovem a diversidade em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).
Ada Lovelace – A Primeira Programadora da História
Ada Lovelace (1815–1852), filha do poeta Lord Byron, é considerada a primeira programadora da história. Trabalhando com Charles Babbage no projeto da Máquina Analítica — um modelo teórico de computador — ela escreveu o que hoje é reconhecido como o primeiro algoritmo destinado a ser processado por uma máquina.
Embora sua época fosse anterior à existência de computadores eletrônicos modernos, sua visão sobre o potencial das máquinas transcendeu sua própria geração. Ada é, até hoje, referência para mulheres na computação.
Grandes Nomes do Brasil
Bertha Lutz – Bióloga e Ativista dos Direitos das Mulheres
Bertha Lutz (1894–1976) foi uma bióloga, herpetologista e uma das principais líderes do movimento sufragista no Brasil. Como pesquisadora, contribuiu significativamente para o estudo de anfíbios sul-americanos.
Além disso, sua atuação política foi fundamental para a conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Bertha combinou ciência e ativismo social, deixando um legado que inspira gerações de mulheres cientistas e cidadãs.
Sônia Guimarães – Física e Pioneira Brasileira
Sônia Guimarães é física e foi a primeira mulher negra a obter doutorado em física no Brasil. Sua trajetória acadêmica inclui pesquisas em materiais magnéticos e supercondutividade, além de um compromisso público com a inclusão de mulheres e estudantes negros na ciência.
Guimarães é reconhecida nacionalmente por sua atuação em projetos educacionais e por defender políticas de diversidade no meio científico.
Mayana Zatz – Referência Mundial em Genética
Mayana Zatz é geneticista e professora da Universidade de São Paulo (USP). Sua contribuição à pesquisa genética de doenças neuromusculares e ao estudo de células‑tronco tem impacto internacional.
Além de suas pesquisas, Mayana tem papel ativo na comunicação científica e na formação de novos pesquisadores, consolidando sua influência no cenário científico brasileiro.
Jaqueline Goes de Jesus – Destaque no Sequenciamento do Coronavírus
Jaqueline Goes de Jesus é bióloga e pesquisadora que ganhou destaque mundial por participar do primeiro sequenciamento completo do genoma do novo coronavírus no Brasil, em 2020. Sua atuação rápida e precisa contribuiu para o entendimento epidemiológico da pandemia no país.
Ela representa um modelo contemporâneo de excelência científica, mostrando que as mulheres brasileiras estão na linha de frente das grandes descobertas científicas atuais.
Obstáculos Persistentes para Mulheres na Ciência
Apesar dos avanços, muitas barreiras continuam limitando a participação plena das mulheres na ciência:
1. Preconceito Estrutural e Invisibilidade
Estereótipos de gênero ainda influenciam a percepção de cientistas mulheres como menos aptas ou menos ambiciosas. Isso se traduz em menos convites para conferências, menor visibilidade em publicações e reconhecimentos.
2. Desigualdades na Carreira
As mulheres enfrentam maiores dificuldades em alcançar posições de liderança, obter financiamento científico e receber promoções, em comparação com seus colegas homens.
3. Conciliar Carreira e Vida Pessoal
Responsabilidades familiares e sociais, sobretudo no cuidado de filhos e outros familiares, recaem desproporcionalmente sobre mulheres, impactando sua trajetória acadêmica e produtividade científica.
4. Falta de Representatividade em Prêmios e Reconhecimentos
Embora muitas cientistas façam descobertas extraordinárias, a proporção de mulheres laureadas com prêmios científicos ainda é baixa, refletindo tanto vieses implícitos quanto desigualdades no reconhecimento público.
Iniciativas de Incentivo e Inclusão
Felizmente, uma série de programas e políticas tem sido implementada para promover a participação feminina na ciência:
- Programas de bolsas de pesquisa específicos para mulheres
- Iniciativas educacionais que incentivam meninas a seguir carreiras STEM
- Redes de mentorias e apoio profissional
- Projetos públicos e privados que promovem equidade de gênero em laboratórios e universidades
No Brasil, diversas universidades e instituições desenvolvem ações voltadas à inclusão de mulheres nas ciências, muitas vezes com foco em garantir acesso a bolsas, apoio à maternidade e estímulo à liderança feminina.
Internacionalmente, programas como o L’Oréal‑UNESCO For Women in Science apoiam pesquisadoras em todo o mundo, fornecendo financiamento e visibilidade.
Organizações como Girls Who Code, Society of Women Engineers e outras redes globais também desempenham papel central na formação de redes de apoio e oportunidades.
O Impacto das Mulheres na Ciência para o Futuro
A presença das mulheres na ciência não é apenas uma questão de justiça social; ela é um fator essencial para o avanço científico.
Estudos demonstram que equipes diversas tendem a produzir pesquisas mais inovadoras, com abordagens mais criativas e soluções mais eficientes para problemas complexos.
A inclusão de perspectivas diferentes amplia a qualidade da investigação científica e contribui para descobertas que beneficiam toda a sociedade.
Em áreas como saúde pública, meio ambiente, tecnologia e educação, as contribuições femininas têm efeitos diretos na qualidade de vida das populações e na sustentabilidade global.
Como Celebrar e Apoiar as Mulheres na Ciência
Celebrar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência vai além de eventos pontuais. Algumas ações eficazes incluem:
- Realizar palestras e campanhas educativas em escolas
- Promover debates sobre gênero e ciência
- Incentivar políticas institucionais que garantam igualdade de oportunidades
- Apoiar instituições que fomentem a pesquisa científica feminina
- Estimular meninas a se interessarem por disciplinas tradicionais de domínios masculinos
Celebrar estas datas é também cultivar uma cultura científica mais justa, diversa e colaborativa.
Palavras que Inspiram
Emocionantes e sábias, as palavras de grandes cientistas refletem o espírito que move a ciência:
“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” — Marie Curie
“A ciência e a vida cotidiana não podem ser separadas.” — Rosalind Franklin
“Eu não tenho nenhum talento especial. Eu sou apenas apaixonadamente curiosa.” — Ada Lovelace
Essas reflexões revelam que a ciência é feita de curiosidade, persistência e coragem — qualidades presentes em mulheres que, apesar das adversidades, transformaram o mundo.
Conclusão Inspiradora: O Futuro é de Todas
O percurso das Mulheres na Ciência é uma história de superação, criatividade e impacto profundo. Celebrar essa jornada é reconhecer talentos, visibilizar trajetórias e construir um futuro em que meninas e mulheres possam sonhar com carreiras científicas sem limites, estigmas ou obstáculos injustos.
A ciência é para todos, e todos ganhamos quando as portas se abrem para a diversidade, para a equidade e para a inclusão.

